Vaginismo e o tratamento com toxina botulínica

Vaginismo é um tipo de distúrbio sexual onde a mulher não consegue o relaxamento da musculatura vaginal para a penetração de qualquer objeto, seja o pênis na relação sexual, um absorvente, ou o espéculo no exame ginecológico, oque torna a relação sexual muito difícil ou impossível.

O tratamento do vaginismo com toxina botulínica tem apresentado alto nível de eficácia, promovendo a melhora da vida sexual das pacientes.

O vaginismo se caracteriza por contração involuntária da musculatura do diafragma pélvico e da vagina, principalmente do terço inferior da vagina, que pode resultar em aversão à penetração. pode afetar 1-7% da população feminina mundial, valor que deve estar subestimado, já que muitas destas pacientes costumam ser reservadas e não compartilham este problema com seu médico. Apesar de descrita a mais de 100 anos, continua pouco diagnosticado e tratado.

O tratamento, sempre deve ser multidisciplinar, e os mesmos vão desde terapia sexual, radiofrequência, fisioterapia, dessensibilização, dilatadores, medicamentos e toxina botulínica. É importante manter esse acompanhamento multidisciplinar, mesmo em quem faz o tratamento com a toxina botulínica, pois geralmente o mesmo só é usado após tentar outras opções terapêuticas.

A dor frequente eleva a tensão muscular da região associado a incapacidade de relaxar, desenvolve uma reação de fuga involuntária sempre que há a possibilidade de penetração. E por penetração, devemos entender não só a relação pênis x vagina, a dor acontece em qualquer penetração como; dedos, tampões, espéculos, dilatadores, etc.

A toxina botulínica é popularmente conhecida por seus resultados estéticos, seu uso pode ir muito além das rugas. Seu uso vai desde a enxaqueca até problemas sexuais.

Um tratamento que vem sendo utilizado cada vez com maior frequência é a aplicação de toxina botulínica (Botox®, dysport®, xeomin®, prosygne®, botulift®.) diretamente na musculatura do introito vaginal e terço inferior da vagina com a finalidade de relaxar a musculatura, facilitando desta forma a penetração e melhorando a qualidade de vida sexual. A toxina é produzida pela bactéria clostridium botulinum, entretanto em doses baixas e na forma industrializada e purificada, não causa a doença botulismo. Ela provoca paralisação temporária do musculatura onde é aplicada. Quando aplicada no local, ela impede que o impulso dado pelo nervo chegue até o músculo e com isso relaxa o mesmo.

Desde 1997, pesquisadores estudam aplicação da toxina botulínica no tratamento do vaginismo, condição que provoca contração involuntária e inconsciente dos músculos vaginais, impossibilitando a penetração vaginal, em decorrência disto a mulher sente muita dor durante a relação sexual ou durante o exame ginecológico.

O procedimento pode ser realizado de forma ambulatorial, dura de 15 a 20 minutos, aplica-se previamente uma pomada anestésica 30 min antes nos pontos onde será aplicada a toxina, as injeções serão aplicadas dentro do músculo e os efeitos começam a ser sentidos após 20 dias da aplicação, algumas pacientes já notam diferença a partir do terceiro dia. Antes de fazer as aplicações, deve ser feito um exame ginecológico para descartar qualquer infecção no local e somente aplicar a medicação15 dias após tratada a infecção se este for o caso.

O efeito do  Botox® dura de 4-6 meses, podendo durar até 8 meses em alguns casos, quando pode ser reaplicado caso a dor volte a incomodar.

Em um estudo conduzido em 2011, foram tratadas 30 pacientes de vaginismo com resolução de 97% dos casos. A resolução é realmente significante e os resultados são ótimos.

Se você acha que esse pode ser o seu caso, procure ajuda médica.